O que ajuda
Perante um luto, procuramos a frase que vai consolar. Não existe. As fórmulas feitas pesam muitas vezes mais do que ajudam: « está num lugar melhor », « chegou a hora dele », « pelo menos não sofreu », « sei o que estás a sentir ». Querem acalmar, e podem dar a impressão de que explicas a perda ou a comparas. Um pai ou uma mãe, um companheiro, um filho, um amigo: cada perda é diferente, e nenhuma se classifica.
Nos primeiros dias, poucas palavras sinceras chegam: soubeste, lamentas, pensas na pessoa enlutada. Ela não tem de responder, nem de contar nada. Se conhecias quem morreu, dizer o nome ou partilhar uma lembrança toca muitas vezes. Uma ajuda precisa alivia mais do que um « diz se precisares de alguma coisa »: uma refeição deixada à porta, uma boleia, as compras, os miúdos por uma noite. Ela pode recusar sem ter de se justificar.
Depois do funeral, as mensagens rareiam enquanto a ausência se instala. É muitas vezes aí que a tua presença conta mais. Um sinal de vez em quando chega, sem perguntar se ela « está a recuperar » nem se já « fez o luto »: o desgosto não tem calendário. As festas, os aniversários e a data da morte voltam. Uma palavra nesses dias diz que não te esqueceste.
Exemplo concreto
« Soube do teu pai. Penso muito em ti. Não precisas de responder. Passo aí na quinta a deixar uma refeição, a não ser que prefiras que não. »
A reter
- Poucas palavras simples valem mais do que uma explicação. Sem comparar, sem « pelo menos », sem dar um sentido à perda.
- O luto dura muito para lá do funeral. Voltar nas semanas e nos meses seguintes conta tanto como a primeira mensagem.
Experimentar da próxima vez
Se alguém à tua volta acabou de perder uma pessoa querida, envia-lhe uma mensagem curta, sem pergunta. Depois aponta na agenda voltar a dar sinal daqui a um mês.